Brasil Insights

Eleições nos EUA: A vitória de Trump em 3 gráficos

Ryan McConnell

Vice presidente e diretor do US Yankelovich MONITOR

Política 16.11.2016 / 10:00

Donald Trump

Dados da Kantar Futures mostram que os norte-americanos estavam receptivos às mensagens de Trump

A vitória de Donald Trump sobre Hillary Clinton fez com que especialistas e analistas políticos buscassem respostas para algumas questões básicas. No Brasil, a cobertura do resultado das eleições norte-americanas atraiu a atenção da audiência para programas jornalísticos - foram quase 35 milhões de pessoas impactadas com ao menos 1 minuto de programas de jornalismo no dia 9 de novembro nas 15 regiões metropolitanas aferidas pela Kantar IBOPE Media. Mesmo entendendo que existe diferença entre o voto popular e a decisão do Colégio Eleitoral, é interessante compreender o que as pessoas não viram.

A Kantar Futures não se posicionou sobre quem iria vencer as eleições, mas nós temos estudado as atitudes, valores e prioridades da população norte-americana durante as últimas 5 décadas. Por isso, temos algumas ideias sobre os três fatores que provavelmente foram críticos para o resultado das eleições nos EUA.

1. Disrupção

Muitos americanos queriam grandes e fundamentais mudanças no status quo, independentemente de como isso iria ser feito. Os eleitores estavam fartos das visões parciais que vinham de dentro do Washington Beltway, e se sentiram presos nos anos de crescimento lento e estagnação. O status de Trump como um "forasteiro" e a promessa dele de chacoalhar o sistema se mostraram sedutoras.

Temos acompanhado esse fenômeno por um bom tempo, e ele não se limita à política nacional norte-americana. Aqui na Kantar Futures, já mencionamos anteriormente o sentimento de "medo de não mudar", e reparamos que os norte-americanos estão ansiosos por mudanças em diversas partes das suas vidas, sendo cada vez menos tolerantes com o "jeito que sempre foi" e mais ávidos por riscos. O jeito imprevisível e não convencional de Trump acaba satisfazendo esse desejo mais do que a fazia sua rival, que tinha posições mais cautelosas e resguardadas.

Desire 4Change Chart

2. Explorando a pertinência cultural

Talvez o fator mais bem documentado da vitória de Trump nessas eleições tenha sido seu sucesso ao conquistar os norte-americanos brancos (não-hispânicos) - particularmente aqueles que fazem parte da classe trabalhadora. A campanha dele apostou na crescente ansiedade cultural desse grupo, que tem um medo que aumenta de acordo com que aumenta a população, o poderio e a influência das minorias étnicas na sociedade.

Como os dados abaixo indicam, a maioria dos norte-americanos brancos sentem que a sua cultura e o seu lugar na sociedade estão ameaçados, enquanto a elite poderosa quer "nivelar o jogo" de uma forma que não impeça que eles continuem avançando.

Perceptions _of _privlege _chart _500x 354

E 65% dos brancos também concordam com a expressão "eu me preocupo que os valores e espírito que fizeram os EUA serem bem sucedidos estão sendo erodidos por influências culturais externas".

3. O "papo reto" de Trump

Os apoiadores de Trump encontraram esperança na retórica impetuosa dele - aquele "papo reto" que eles conseguem entender e que é um antídoto aos discursos dirigidos por tópicos mostrados em um teleprompter. Eles estavam ansiosos em atacar o "politicamente correto" - algo que eles viram ser consistentemente reforçado por uma mídia que seletivamente transformava gafes em ofensas.

Concerns _of _minorities _chart _497x 335

Fonte: Kantar Futures, Kantar IBOPE Media

Nota da Editora

Os dados mostrados fazem parte do estudo U.S. Yankelovich MONITOR, realizado online entre março e abril de 2016 entre uma amostra representativa do país que entrevistou 10 mil pessoas a partir dos 18 anos.

Se interessou pelos dados? A Kantar Futures vai falar sobre o impacto da administração de Trump na cultura, economia e questões raciais nos EUA em um webcast no dia 13 de dezembro. Para acompanhar (em inglês), basta se cadastrar nesse link.

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