Brasil Insights

Paralimpíadas: esporte e tecnologia são aliados na superação de limites

Chris Bueno

Comunicação científica

Saúde e Esporte 06.09.2016 / 17:00

Competições ajudam a estimular criação de equipamentos melhores para quem lida com alguma deficiência

Daniel Dias nasceu com má formação congênita dos membros superiores e da perna direita. Ele descobriu o esporte aos 16 anos e hoje é o maior medalhista brasileiro, com 10 ouros, 4 pratas e um bronze conquistados nas Paralimpíadas de Pequim (2008) e Londres (2012), além de 14 títulos e seis recordes mundiais. Terezinha Guilhermina possui uma deficiência congênita que a fez perder a visão. Ela usou o esporte como forma de reabilitação e hoje é considerada a velocista cega mais rápida do mundo, tendo quebrado o recorde mundial dos 100 metros rasos e conquistado a medalha de ouro das Paralimpíadas de Londres (2012). Natalia Mayara foi atropelada por um ônibus quando tinha apenas dois anos de idade e teve suas duas pernas amputadas. O esporte foi fundamental para sua recuperação e hoje ela acumula diversos títulos nacionais e sul-americanos de tênis em cadeiras de rodas, sendo a atual campeã ParaPan-Americana de simples e duplas.

Essas histórias são apenas alguns exemplos de como o esporte pode ajudar não apenas na reabilitação de pessoas com deficiências, mas também na melhoria da qualidade de vida e na superação de limites. Esses atletas estarão representando o Brasil nos Jogos Paralímpicos 2016, que acontecem de 07 a 18 de setembro no Rio de Janeiro. Durante mais de 10 dias de competições, a capital carioca receberá 4.350 atletas de 178 países para disputar 23 esportes.

Deficientes visuais, mentais, paralisados cerebrais, com prejuízo neurológico, amputados e cadeirantes podem participar em diferentes categorias – e em diferentes classificações funcionais – das Paralimpíadas Rio 2016. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), deficiência é um termo “guarda-chuva” que abrange deficiência, limitação de atividade e restrição de participação em qualquer atividade. “A deficiência não é apenas uma questão de saúde, é um fenômeno complexo, que envolve a interação da pessoa com o próprio corpo e com a sociedade, a superação de limites e a aceitação”, aponta Luciana Clark, diretora de Comunicação Científica da Evidências - Kantar Health.

Ainda segundo a OMS, uma em cada sete pessoas no mundo apresenta algum tipo de deficiência - são mais de um bilhão de pessoas no planeta! Só no Brasil, 23,9% da população (mais de 45 milhões de pessoas) têm pelo menos uma das quatro deficiências pesquisadas (visual, auditiva, motora ou intelectual), de acordo com o Censo de 2010 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Se considerarmos apenas as deficiências motora e intelectual, temos 8,4% dos brasileiros, ou 16 milhões de pessoas, afetadas”, diz Clark.

A superação através do esporte, com a tecnologia como aliada

Para as pessoas com deficiência, o esporte pode ajudar – e muito – não só na reabilitação, mas também na qualidade de vida. O esporte promove a integração social, levando o indivíduo a redescobrir que é possível, apesar das limitações físicas, ter uma vida saudável e fazer amizades.

“A literatura médica mostra que a atividade física e o esporte trazem diversos benefícios nas esferas psicológica, social e física para a população em geral e especialmente para pacientes com deficiências motoras ou mentais. Entre os benefícios encontrados estão melhora da capacidade aeróbica, redução dos riscos cardiovasculares, menor incidência de infecções, complicações médicas e hospitalizações além de melhora na autoestima, independência e socialização”, afirma Clark.

O esporte também pode ajudar de uma forma indireta a essas pessoas com deficiência: no desenvolvimento de novas tecnologias. Milhões de pessoas em todo o mundo dependem de órteses, próteses, cadeiras de rodas e outros aparelhos para melhorar sua qualidade de vida. No entanto, a tecnologia atual ainda não permite que essas pessoas tenham plena independência ou conforto: cadeiras de rodas ainda não conseguem subir escadas, próteses de braços ainda não conseguem simular todos os movimentos das mãos. Para fazer essa tecnologia avançar, é preciso muito estudo e muito investimento, e é aí que os esportes podem colaborar.

A tecnologia visa, além de aprimorar o desempenho, deixar o usuário mais confortável e adaptado para render o máximo nas competições e voltar a realizar as tarefas do dia-a-dia. É o caso das próteses batizadas de “blade runners”, feitas de fibra de carbono, que imitam a ação do tornozelo durante uma corrida, ao se comprimir contra o chão e armazenar energia cinética, liberada pelo atleta no momento da descompressão da lâmina.

Para os atletas amputados acima do joelho, existe uma forma de manter o movimento natural das pernas por meio de joelhos mecânicos, onde pequenos cilindros, que funcionam à base de hidráulica, dão estabilidade e minimizam a perda de energia, assegurando que toda a força gerada pelo atleta seja empregada em sua impulsão – o que ajuda muito no desempenho do salto em distância, por exemplo. Já no caso das cadeiras de rodas, alguns fabricantes chegam a testar a velocidade e a resistência das mesmas em túneis de vento, levando ao aprimoramento de sua aerodinâmica, leveza e até mesmo conforto.

Essas grandes inovações são desenvolvidas para o esporte e para as situações mais extremas que acontecem nas grandes competições, como as Paralimpíadas Rio 2016. É aí que essas tecnologias são colocadas à prova e muito do benefício atestado nas competições pode ser adaptado para as próteses do cotidiano e incorporado até mesmo para os não atletas – hoje, os pés de fibra de carbono podem ser utilizados até mesmo no cotidiano, com um desenho menos “agressivo” do que o dos atletas. E todos esses avanços tecnológicos, aliados ao esporte, podem contribuir muito para melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência.

Fonte: Kantar Health

Nota da Editora

Jornalista, se precisar de mais dados ou se quiser entrevistar algum dos nossos especialistas, por favor, entre em contato conosco.

Você também pode receber nossas novidades através da nossa newsletter, ou acompanhando nossas postagens no Twitter, no Facebook ou na nossa página no Linked In.

Últimas Notícias

Conheça os padrões comuns aos cases melhor qualificados

35% dos ouvintes dizem escolher o rádio para uma atualização rápida sobre as notícias

Previsão é maior do que para o total da população, que deve crescer 1,7% em volume

Até na hora de tomar cerveja os consumidores se preocupam com a saúde

Eles estão entre os indicados ao prêmio Kantar Information Is Beautiful 2017

Leia também