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Combate ao Aedes aegypti custa menos que tratamentos de dengue, zika, febre amarela e chikungunya

Chris Bueno

Comunicação científica

Saúde e Esporte 29.09.2017 / 05:00

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Ainda assim, existem mais gastos públicos com tratamentos e paliativos do que com a contenção ao mosquito

Eles podem ser pequenos e frágeis, mas sua capacidade de transportar e transmitir doenças causa milhões de mortes anualmente ao redor do mundo. Uma de cada 6 enfermidades sofridas em todo o mundo é transmitida por vetores, e estima-se que mais de metade da população mundial esteja em risco de ser infectada por elas. E no quesito transmitir doenças, o Aedes aegypti é eficiente:  o pequeno mosquito preto de manchas brancas é responsável pela transmissão de quatro doenças que tiveram surtos recentemente no Brasil: dengue, zika, chikungunya e febre amarela.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dengue é endêmica em mais de 128 países, com 3,8 milhões de pessoas em risco. O maior surto da doença no Brasil ocorreu em 2015, com aproximadamente 2 milhões de casos relatados e mais de 900 mortes, segundo o Ministério da Saúde.

Para todas essas doenças, o controle do vetor é uma poderosa medida preventiva, que infelizmente não é utilizada em todo seu potencial. Dados da literatura médica estimam que o custo do tratamento da dengue gire em torno de R$ 1 bilhão por ano; do Chikungunya, cerca de U$ 73,6 milhões; já o tratamento da síndrome de Guillain-Barré e da microcefalia, as consequências mais graves do zika, foi estimado em U$ 91.102. Por outro lado, os gastos do governo brasileiro com a prevenção e o controle do Aedes aegypti foram de R$ 152.103.611,63 em 2017, R$ 143.702.444,04 em 2016 e R$ 150.019.037,98 em 2015, de acordo com o Ministério da Saúde.

“Nossa pesquisa demonstra que investir na prevenção e no controle do vetor poderia economizar recursos e evitar novos surtos dessas e de outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti”, explica Priscylla Rosa, analista de comunicação científica da Kantar Health e uma das autoras do pôster sobre o tema, apresentado no ISPOR 2017.



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Impactos da microcefalia e da falta de tratamentos

A microcefalia é uma condição em que a cabeça de um bebê é menor quando comparada com outros bebês da mesma idade e sexo. O tamanho da cabeça é importante para monitorar o crescimento do cérebro da criança, e a microcefalia pode afetar todo o desenvolvimento infantil e levar a uma série de sequelas, que podem ser extremamente sérias dependendo da gravidade da condição. Os casos de microcefalia no Brasil aumentaram significativamente em crianças nascidas de mulheres afetadas pelo vírus da zika. Entre 2000 e 2014, o número de nascidos vivos com microcefalia manteve-se estável (cerca de 164 casos por ano). No entanto, após o surto da doença, esse número passou para 2.753 casos confirmados pelo Ministério da Saúde entre novembro de 2015 e maio de 2017.



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A microcefalia é associada com déficit intelectual, epilepsia, paralisia cerebral, desenvolvimento da linguagem e/ou motor atrasados, além de distúrbios oftalmológicos, cardíacos e renais. Não há tratamento específico para a doença, e as crianças afetadas precisarão de cuidado especializado por tempo indeterminado, dependendo da gravidade de cada caso. “Uma equipe multidisciplinar é imprescindível para analisar casa caso e cuidar das crianças com microcefalia. A intervenção precoce com estimulação, assim como conselho e suporte familiar, são extremamente importantes para que a criança possa se desenvolver da melhor maneira possível e ter qualidade de vida”, aponta Luciana Clark, diretora de Comunicação Científica da Kantar Health no Brasil e também autora do pôster.

Após o surto de zika, o governo brasileiro lançou uma série de programas com o objetivo de fornecer assistência para essas crianças e suas famílias. Um desses programas é o Benefício de Prestação Continuada (BPC), uma espécie de ajuda de custo para famílias com dificuldades financeiras no qual o governo pretendia investir cerca de R$ 10,9 milhões no total, ou R$ 2.200,00 por criança. No entanto, estudo realizado pela Kantar Health e apresentado n 6o Congresso da ISPOR América Latina apontou que um ano após o lançamento do programa, muitas famílias ainda não têm acesso a esse benefício. Além disso, as famílias com crianças com microcefalia têm dificuldades em conseguir alguns tratamentos e medicamentos através do sistema público de saúde em várias regiões do país. Especialmente na região Nordeste, muitos medicamentos usados para tratar a microcefalia não têm sido distribuídos há meses. E não é só: nem todas as crianças têm acesso a programas de estimulação precoce devido à distância dos centros, longas listas de espera, dificuldades de transporte ou até mesmo falta de vagas.

Controle do Aedes pode prevenir impactos sociais e custos econômicos das doenças

O investimento insuficiente no controle das doenças causadas pelo Aedes aegypti acarreta importantes custos econômicos e sociais. Apenas em 2015 – o ano de maior surto de dengue, zika e chikungunya – o governo gastou mais de R$ 150 milhões na prevenção dessas doenças. Porém, os custos apenas com o tratamento da dengue foram estimados em mais de R$ 1 bilhão por ano.



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À medida que essas doenças continuam a se espalhar, as decisões relativas a alocações de recursos para controla-las e evitá-las destacam a necessidade de criar políticas de acordo com seus custos e os encargos de saúde que poderiam prevenir.

Dengue, zika, chikungunya e febre amarela são grandes problemas de saúde pública em regiões tropicais e subtropicais do mundo. As epidemias dessas doenças resultam em sofrimento humano, serviços de saúde no limite e perdas econômicas maciças. Conforme concluiu o estudo realizado pela Kantar Health, a prevenção dessas doenças pode impedir altas despesas, bem como a carga social dessas doenças.

Fonte: Kantar Health

Nota da Editora

Os dados utilizados nessa matéria provém do estudos apresentados pela Kantar Health no ISPOR 2017. Confira a íntegra dos pôsteres sobre os custos associados a doenças causadas pelo Aedes Aegypts e sobre o tratamento de microcefalia no Brasil.

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