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Transtornos mentais como a depressão atingem 16% dos brasileiros

Jacqueline Lafloufa

Editora de conteúdo e insights

Saúde e Esporte 04.04.2017 / 18:00

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No Dia Mundial da Saúde, a OMS convida a falar sobre o assunto

Estar mentalmente saudável, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) é o estado de bem-estar no qual uma pessoa consegue desempenhar suas habilidades, consegue lidar com as inquietudes da vida, é capaz de trabalhar de forma produtiva e contribuir para a sua comunidade. No entanto, as situações do cotidiano mostram que cada vez menos estamos conseguindo levar a vida dessa forma: existe um aumento dos casos de violência, uso de drogas, transtornos compulsivos, suicídio, intolerâncias, entre outros.

Todo dia 7 de abril a OMS convida a celebrarmos o Dia Mundial da Saúde, e neste ano o pedido é para que se fale mais abertamente também sobre os cuidados com a depressão, um dos transtornos mentais que mais afeta a saúde das pessoas no mundo todo. No Brasil, dados da Pesquisa Nacional de Saúde e Bem-Estar (NHWS, na sigla em inglês) da Kantar Health mostram que 34% dos entrevistados declararam sofrerem de alguma condição psiquiátrica*, ainda que apenas 21% deles tenha sido diagnosticado.

A depressão, uma grave condição médica que diminui a capacidade da pessoa de funcionar normalmente, é um dos transtornos psíquicos muito comuns no mundo, afetando mais de 350 milhões de pessoas no mundo todo (dados da OMS) e que acomete 16% da população brasileira - mais do que a taxa de depressão nos EUA (13%), Espanha (9%) e China (quase 6%). O Brasil também é o país onde as pessoas são diagnosticadas com depressão quando são mais jovens, em média aos 36 anos. A faixa etária entre os 35 e 49 anos concentra a maior taxa de depressivos brasileiros, com maior incidência entre as mulheres (68,9%), mesma tendência observada em países como França, Reino Unido e Espanha.



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Falta de saúde mental sobrecarrega os sistemas de saúde

Além de debilitar a saúde mental dos pacientes, transtornos mentais como a depressão também são um importante fator na taxa mundial de mortalidade.

Principais números

  • 16% dos brasileiros sofrem com depressão

Pacientes que sofrem com depressão severa também costumam relatar outras queixas médicas, como sofrimento com insônia, ansiedade e dores, e costumam frequentar mais os hospitais e prontos-socorros.

Ainda que o sistema de saúde brasileiro seja gratuito, grande parte dos diagnósticos de depressão acontece entre pacientes que possuem convênio médico privado. A incidência de diagnósticos de depressão na rede pública de saúde (SUS) é baixa, possivelmente devido à falta de acesso à especialistas. Quem não depende do sistema público de saúde (SUS) tem uma tendência maior de procurar psiquiatras, psicólogos e terapeutas para tratar a própria depressão. 

LEIA MAIS: Diagnóstico de depressão é mais comum entre aqueles que têm convênio médico

Existem estudos que também associam o suicídio à distúrbios mentais, transtornos de personalidade, isolamento e depressão, essa última estando associada a 30% dos casos de morte, segundo a OMS.

Cuidados com saúde mental também são importantes no tratamento de câncer

Lidar com um câncer e superá-lo não é tarefa fácil, e por isso alguns pacientes costumam precisar de apoio para manter a saúde mental durante o tratamento. O impacto psicológico das doenças varia de caso a caso, mas é bastante comum em alguns tipos de câncer, como o de mama. “O impacto psicológico do diagnóstico de câncer de mama é brutal e toda mulher que passa por isso sofrerá um processo de luto em algum momento no decorrer do tratamento ou mesmo após o seu término”, afirma a oncologista Bruna Pegoretti, coordenadora do departamento de Medical Intelligence da Evidências - Kantar Health. Segundo Pegoretti, é muito frequente que as mulheres "segurem a peteca" durante o diagnóstico e o tratamento, e só depois de estarem fora de perigo que chegam a desenvolver um quadro depressivo.

SAIBA MAIS: Retirada das mamas e queda do cabelo são desafios no tratamento do câncer de mama

Além dos próprios pacientes, os cuidadores de pessoas que sofrem com o câncer também têm sua saúde mental afetada. Como eles costumam percorrer junto com o paciente a longa jornada de tratamentos, eles costumam sofrer com as repercussões do estresse dessa situação. Um levantamento da Kantar Health mostrou que dentre os cuidadores de pacientes com câncer, 57,6% apresentavam sinais de ansiedade e 45,5% de depressão

Por um ano mentalmente saudável

Sabe-se que mais de 90% dos pacientes que tentam o suicídio apresentam um distúrbio psiquiátrico e que 95% daqueles que cometeram suicídio têm um diagnóstico psiquiátrico. Por isso, é importante que as pessoas que sofrem com algum distúrbio mental (como depressão, uso ou abuso de álcool e drogas, esquizofrenia ou transtorno bipolar) possam contar com uma atenção especial dos seus familiares. Segundo Luis Sales, médico analista da Evidências – Kantar Health, quem sofre com esses transtornos mentais deve passar pelo tratamento médico adequado, que pode incluir tratamentos farmacológicos e acompanhamento psicoterápico. Além disso, o suporte social e familiar é fundamental para a recuperação do paciente.

Todo início de ano, um grupo de psicólogos promove a campanha Janeiro Branco, incentivando as pessoas a ser mais sinceras e transparentes com os seus desafios psicológicos, buscando ajuda e apoio sempre que necessário. Confira abaixo algumas das medidas que a campanha Janeiro Branco sugere para ajudar as pessoas a buscarem uma saúde mental e emocional mais plena.

  1. Reflita: com o ano novo, será que você pode ser uma nova pessoa? Aproveite o momento de reflexão do ano novo para pensar o que você pode mudar na sua vida para torna-la mais feliz.
  2. Aceite os ciclos: assim como os anos que se iniciam e acabam, a vida também é feita de ciclos. Esteja pronto para concluir os ciclos que não te fazem bem e se prepare para os novos que irão começar!
  3. Se prepare para agir: com o novo ciclo de 12 meses que se inicia agora, o que você pode se preparar para fazer que possa te levar a ter uma vida mais saudável e feliz?

Fonte: Kantar Health,

Nota da Editora

*condições psiquiátricas entre a população adulta incluem pacientes que relatam sofrimento com ansiedade, déficit de atenção ou hiperatividade, bipolaridade, depressão, ansiedade generalizada, transtorno obsessivo-compulsivo, fobias, stress pós-traumático, esquizofrenia e fobia social.

 

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