Brasil Insights

Amazon, Apple e Google estão brigando pra ser a "voz" da sua casa

Alvaro Morilla

Associate Analyst

Móvel 04.07.2017 / 06:00

AppleHomePod

Pesquisas por voz já representam mais de 10% do tráfego em buscadores

A voz é o jeito natural das pessoas interagirem e se comunicarem com o mundo. No entanto, não faz muito tempo que a chance dos dispositivos funcionarem com um tipo de conversação natural era difícil de imaginar. Assim como acontece com várias coisas no mundo da tecnologia e do eCommerce, as mudanças são velozes no comércio por voz. Em 2014, as pesquisas por voz eram insignificantes; hoje, elas já representam mais de 10% do tráfego em buscadores. Quando a Amazon lançou a Echo em 2014, a maioria dos analistas, se fossem honestos, estavam céticos. Mas se alguém seria capaz de fazer essa tecnologia funcionar e impulsionar a adoção, seria a Amazon.

A extensão natural do ecossistema do varejo

Estima-se que até 2021, serão mais de 1,8 bilhões de consumidores usando assistentes de voz com inteligência artificial (IA) no mundo todo. Atualmente, a Amazon aproveita a sua vantagem de ter sido a pioneira, o que deve dar a ela a liderança do mercado. Isso acontece graças aos desenvolvedores e marcas estarem capitalizando no poder e no suporte do ecossistema ao redor da Alexa Skills (os "apps mobile" para a Alexa), que cresceram mais de 350% entre setembro de 2015 e novembro de 2016, gerando mais de 13 mil "skills". Isso é auto-perpetuador, com outros querendo fazer parte desse ambiente em futuras experiências do usuário.

Amazon Echo Installs

Logo atrás da Amazon está o Google. A gigante da tecnologia lançou o "Google Home" em novembro de 2016, aterrissando no Reino Unido em abril de 2017. Comparada com a Echo, o sucesso do Google Home foi bem discreto, mas tem ganhado tração. Varejistas e marcas estão começando a notar a tendência, com a Tesco seguindo os passos dos varejistas norte-americanos Costco e Walgreens e integrando as suas opções de compras à plataforma do Google Home. Saímos de um período de teste com um dispositivo em 2014 para um mercado de dispositivos ativados por voz que é diverso e competitivo.

Quem são os novos players?

O HomePod da Apple, que estará disponível a partir de dezembro de 2017, bem a tempo das compras de Natal, será vendido por 349 dólares para os usuários dos EUA, Reino Unido e Austrália.

Ativado pela Siri e contendo o poderoso chip A8, o dispositivo combina a tecnologia de áudio e software da Apple para entregar o que a Apple chama de áudio de alta fidelidade com uma tecnologia que garante a melhor qualidade de áudio dos alto-falantes.

Esse dispositivo será, inicialmente, o centro de mídia e música da residência, assim como a Amazon fez com a Alexa. Com a Siri, que já é uma 'especialista' no ramo do reconhecimento de voz, combinada com a Apple Music, a oferta da Apple é bastante instigante, e provavelmente terá grande apelo com os fãs da Apple. Nas palavras de Phil Schiller, executivo da Apple, "assim como o iPod reinventou a música nos nossos bolsos, o HomePod irá reinventará a música em casa".

A Apple é mestre em maximizar o lucro por produto. No entanto, para que o HomePod seja um sucesso, ele não poderá se apoiar apenas na estética, na qualidade do áudio ou na integração com outros produtos da Apple. Tudo isso pode ajudar, mas abrir o código da plataforma para os desenvolvedores sera essencial, se ela quiser competir com a Amazon e o Google.

Que comecem os jogos!

O uso de comando de voz é um dos grandes debates do varejo. A Amazon está se mexendo muito rápido, com a Alexa expandindo cada vez mais suas capacidades. O Google não quer ficar pare trás e se alia a cada vez mais desenvolvedores para melhorar o uso de comandos de voz. Enquanto o HomePod está focado no entretenimento doméstico, a Amazon está apostando em diferentes formatos que podem utilizar as suas avançadas capacidades de inteligência artificial. Enquanto a Echo original era focada em mídia e música, a Echo Look é um assistente de moda e de cmpras, e a nova joia da coroa, a Echo Sow, é um cavalo de Tróia que poderá se embrenhar nas nossas casas como um facilitadr da vida, incluindo até mesmo video chamadas. Com a Amazon presente em mais cômodos da casa, esperamos que a Apple aposte no lançamento de novos dispositivos, com funções mais específicas.

A Amazon está na frente... por enquanto

Para o comércio por voz, o ecossistema da Amazon é claramente o líder. O Google está batalhando pelo seu terreno com o Google Express, em parceria com tradicionais varejistas. Ainda que a Apple não tenha revelado (por enquanto) a sua estratégia, ela possivelmente terá um papel importante na integração entre o dispositivo e a assistente virtual Siri.

Ainda que o HomePod provavelmente se transforme em um dos acessórios mais vendidos da Apple na temporada de Natal, a Apple precisa se mexer rápido, já que esse mercado já se tornou competitivo. A Apple não costuma ser a mais veloz do mercado, mas o seu viés único já foi capaz de mover o mercado em direções diferentes. Para o Google, o dispositivo criará novos desafios para os departamentos de marketing, que terão que entender como os seus conteúdos serão "lidos" pelo Google Home, ainda que o disposiivo ajude muito ao coletar cada vez mais dados.

Nesse momento, ainda não ficou claro se os compradores vão abraçar a experiência do Google, já que o ecossistema da Amazon é mais refinado. Enquanto a Apple e o Google podem abocanhar uma parte do mercado de dispositivos de voz, a habilidade da Amazon de incluir comandos de voz na sua experiência de compra significa que ela irá manter a liderança no chamado "Comércio por Voz".

O que esperar para os próximos anos

Os comandos por voz vão ganhar espaço, e a Amazon está pronta para capitalizar em cima disso e até mesmo incentivar o crescimento do comércio por voz. As marcas vão precisar rever as suas relações com a Amazon e com outros fortes nomes do mercado de voz, já que eles se tornarão uma porta de acesso para os consumidores.

Na Kantar Retail, temos visto os comandos por voz impactarem todo o cenário do varejo, levando a uma grande transformação na forma como os consumidores interagem com varejistas e marcas. Esse é o começo de uma nova era do comércio, e a jornada está apenas começando. Ainda que os comandos por voz não venha a substituir nossos celulares ou computadores, eles vão enriquecer as possibilidades para os consumidores e vão criar novas plataformas para as marcas. Colaborações e parcerias serão a chave do sucesso, assim como a força de vontade de testar essas novidades.

Fonte: Kantar Retail

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