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Busca por melhor custo-benefício é principal foco das compras

Consumo e Negócios 15.03.2016 / 18:00

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Queda da renda faz com que o brasileiro se desdobre para manter suas conquistas

As finanças do brasileiro estão dançando conforme a música da economia. Em 2015, ano bastante afetado pela inflação, a renda do brasileiro caiu 6,4% em comparação com 2014, retração também percebida no gasto real, que baixou 5,6%.

Com o índice de desemprego aumentando, os consumidores tentam equilibrar os gastos ao diminuir a frequência de compra e dar mais espaço para a troca entre categorias. Dados do Consumer Insights da Kantar Worldpanel indicam que em 2015 houve, em média, quatro visitas a menos aos pontos de venda em comparação com o ano anterior.

Diante deste cenário de recessão, todas as regiões diminuíram as visitas ao ponto de venda, de forma mais alarmante nas regiões metropolitanas de São Paulo (- 7 idas aos pontos de venda) e do Rio de Janeiro (- 6 idas). A classe AB começou a diminuir seus gastos, consumindo 3% menos unidades por viagem, enquanto a classe DE reduziu em maior intensidade as idas ao ponto de venda (- 5 visitas), ainda que mantivessem positivas em 5% as unidades por viagem.

Mesmo com a redução das unidades por viagem nas classes, o atacarejo (atacadistas que vendem produtos ao consumidor final) registrou aumento de 26% nas unidades vendidas entre 2014 e 2015 – o único canal que cresceu, à frente de farmácias e hipermercados. Esse resultado positivo para o atacarejo, contudo, não se deve exclusivamente ao preço, já que estes pontos de venda oferecem preços iguais ou mais altos que todos os hipermercados em 30% das categorias. Com um portfólio simples e inteligente, o atacarejo é a escolha de casais (23% das compras neste canal) que buscam agilidade e economia de tempo e dinheiro, já que a ida ao ponto de venda com os filhos duplica o ticket médio. Por conta dessa praticidade, famílias compram 50% mais categorias no atacarejo do que nos hipermercados, e o consumo médio por ato de compra é 85% maior.

 

Mudanças nos hábitos

Para manter o orçamento equilibrado, 1,6 milhão de famílias pararam de comer em restaurantes nos últimos 2 anos, sendo o jantar a refeição mais impactada: mais de meio milhão de famílias deixaram de jantar fora. Neste cenário, algumas categorias ganharam mais espaço nos lares brasileiros, destacando-se em “praticidade” e “escolhas inteligentes”, como é o caso do chocolate culinário, fraldas descartáveis, molho para salada, hambúrgueres, presuntaria e linguiças.

As promoções também ganharam força em 2015 como mais uma alternativa para reduzir gastos, mas os dados indicam que as ofertas “leve mais, pague menos” são as que mais tiveram aumento de valor no ano passado, além de quarta-feira ser o dia da semana que teve um maior aumento de promoção.

Não é à toa que em 2016, os lojistas se uniram para mover as comemorações de "dia do consumidor" do dia 15 - data oficial no mundo todo - para o dia 16 de março, uma quarta-feira, buscando concentrar as ações no dia da semana em que a propensão de aproveitar uma liquidação é maior.

LEIA TAMBÉM: Consumidores reduzem o volume e a frequência das compras

 

Tecnologia e o perfil do consumidor brasileiro

A presença de smartphones no Brasil aumentou 22 pontos percentuais entre os anos de 2014 e 2015, e os aparelhos transformaram o cenário do consumo no país ao colocar o poder nas mãos do consumidor: o resultado da combinação “conexão + consciência” é o “consumidor racional”.

Com isso, surge um consumidor mais exigente e bem informado sobre os produtos disponíveis no mercado, atento ao grande número de opções, o que o pressiona a fazer a escolha certa. Além disso, as opções cada vez mais personalizadas tornam a atitude de comprar mais racional, levando a uma avaliação do custo-benefício. Nesse sentido, quem se beneficia é o atacarejo, já que o canal entrega preço e embalagens mais econômicas ou acessíveis.

Também existe a busca por opções mais práticas, com o tempo sendo um fator determinante nas decisões de compra, passando pela reinvenção dos segmentos, com nichos de mercado que crescem mesmo com a categoria em queda. É o caso, por exemplo, do leite pasteurizado em garrafa, que teve crescimento de consumo ainda que a categoria sofra retração.

Fonte: Kantar Worldpanel

Nota do Editor

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Metodologia:Dados de histórico de consumo foram obtidos através do Painel Nacional de Domicílios da Kantar Worldpanel, que monitora semanalmente o consumo de 11.300 domicílios em todo o Brasil. Os resultados tiveram como base o desempenho de 96 categorias entre os períodos de 2014 a 2015. Também foi analisado o histórico do HolisticView de 2008 a 2015. HolisticView é uma plataforma desenvolvida pela Kantar Worldpanel Brasil para entender o orçamento das famílias brasileiras. As informações são coletadas por meio da aplicação de questionário previamente estruturado anualmente em uma amostra de 11.300 domicílios,onde todos os integrantes da família respondem a pesquisa. Isso representa 34.000 indivíduos e um universo de 50 milhões de lares.

 

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