Brasil Insights

Consumo apresenta alguns sinais de recuperação

Maria Andréa Ferreira

Especialista em comportamento do consumidor e pesquisas contínuas

Consumo e Negócios 14.12.2017 / 11:00

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Básicos continuam sendo priorizados, mas opções premium têm espaço no carrinho

Depois de longa estagnação, o consumo no mercado brasileiro começa, no curto prazo, a mostrar sinais de recuperação em diversas categorias da cesta de bens de consumo (FMCG), apesar de ainda não se igualar ao patamar pré-crise. Segundo a mais recente edição do Consumer Insights, o consumo em unidades no terceiro trimestre de 2017 supera em 3% os meses anteriores deste ano e em 6% o mesmo período de 2016.

Mantendo a tendência dos últimos anos, as categorias básicas continuam sendo priorizadas. A novidade é que mesmo neste momento de instabilidade, o consumidor tem voltado a buscar opções premium entre os itens mais básicos. Fralda descartável, café, açúcar, cerveja e detergente líquido para roupa são os produtos que lideram este movimento.

Principais números

  • 12% crescimento do atacarejo nos últimos 9 meses

Em geral, quase todas as cestas avançaram. Destaque para as de mercearia doce (como achocolatado em pó, biscoito, adoçante, leite em pó, torrada industrializada) e limpeza (sabão em pedra, detergente líquido, sabonete e papel higiênico). Voltaram com força para o carrinho de compras as batatas congeladas, massa instantânea, lanches prontos, manteiga, cereal tradicional, inseticida, desodorante e escova dental, que atingiram níveis de venda iguais ao do período pré-crise. Produtos perecíveis e menos básicos, como petit suisse, bebidas à base de soja e leite pasteurizado, estão no único grupo que mantém queda contínua nos últimos dois anos.

No entanto, mesmo com a melhora no consumo e no cenário macroeconômico nos últimos meses, alguns comportamentos ainda não mudaram. O atacarejo ainda é o canal com melhor resultado, chegando a crescer 12% nos últimos 9 meses, frequência de compra continua baixa e sem sinais de recuperação, marcas mais acessíveis ganham espaço e promoção ainda é um fator importante para crescimento em faturamento.

Mas já é possível observar algumas pequenas mudanças, a classe DE já estabiliza sua frequência de compra, variando só -0,5% (versus -2,8% do total Brasil) e classe C passa a fazer mais compras no Supermercado de Vizinhança, que ganha +3,6 pontos de penetração nessa classe. Além disso, atacarejo começa a mostrar um crescimento mais estagnado após dobrar seu número de compradores em 6 anos, passando de um crescimento de 22% em 2016 para 12% em 2017.

O levantamento prevê também novidades positivas para 2018 e que estão diretamente relacionadas ao aumento do otimismo no País em ano eleitoral:com maior esperança na guinada da economia, os brasileiros não têm tanto medo de gastar. Em 2014, ano da última eleição presidencial, os gastos com comunicação (+26,1%), serviços pessoais como cabeleireiro (+23,8%), festas (+16,5%) e vestuário (+13,2%) aumentaram em relação a 2013. Mas, na contramão, alerta de que o excesso de confiança multiplica os endividamentos no longo prazo e resulta na queda dos números da cesta de FMCG no ano da posse, como observado em 2011 e 2015.

O momento de maior otimismo é importante para atrair novos consumidores e pensar um pouco fora do contexto de busca por básico e custo-benefício que a crise trouxe. Com isso, grandes tendências começam a aparecer com força, para alimentos e bebidas há uma maior procura por saudabilidade, com categorias integrais, com fibras, sem lactose e azeite num cenário onde 32% da população brasileira sofre com problemas cardiovasculares e 29% sofrem com problemas gastrointestinais. Além disso, empoderamento feminino aparece como uma forte tendência, com um maior número de mulheres consumindo cerveja fora de casa por prazer e para se divertirem.

Para a cesta de Higiene e Beleza há a busca por um look mais natural. Brasileiras têm feito menos alisamentos químicos, estão usando menos secador de cabelo e assumindo um visual com mais cachos e curvas. Já para a cesta de Limpeza as tendências parecem não mudar no próximo ano, já que quantidade de lares que gastam com empregadas/diaristas não se altera em momentos de maior otimismo e consumidores continuarão buscando categorias mais práticas para limpar a casa.

Fonte: Kantar Worldpanel

Nota da Editora

O Consumer Insights é uma pesquisa elaborada pela Kantar Worldpanel, que avalia 11.300 domicílios. 

 

Compreenda detalhes dessa recuperação - procure seu atendimento Kantar ou entre em contato com a Kantar Worldpanel

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