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Risco de contrair dengue, zika ou chikungunya durante Olimpíadas é pequeno

Saúde e Esporte 24.06.2016 / 05:00

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Repelentes e inseticidas também são usados para evitar o contato com os mosquitos e prevenir as doenças

Dengue, zika, chikungunya. Apenas um mosquito pode transmitir essas três doenças – e causar muita dor de cabeça para autoridades, profissionais de saúde e população em geral. Com a aproximação dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, que serão realizados no Rio de Janeiro em agosto e setembro deste ano, os surtos no país vêm ganhando destaque internacional.

No entanto, o risco de se contrair essas doenças durante os jogos é pequeno. A Organização Mundial de Saúde (OMS) ressaltou que durante as competições o país estará no período do inverno, quando os índices das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti estão em declínio. Ainda, a OMS afirmou que o risco de propagação internacional dessas doenças como resultado dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos é muito baixo.

Também é importante notar que essas doenças são autolimitadas, que geralmente provocam sintomas leves e que na maioria dos casos não apresentam grandes problemas além de febre e dores.

Números alarmantes

Grande parte da preocupação, porém, provém dos números alarmantes que essas doenças vêm apresentando no país. Os dados mais recentes do Ministério da Saúde apontam que, de fevereiro a abril deste ano, foram notificados 91,3 mil casos prováveis de zika no Brasil, 802 mil de dengue e 39 mil de chikungunya. O problema, no entanto, não é restrito ao país: de acordo com dados da OMS, a transmissão de zika e chikungunya foi documentada em mais de 60 da África, Ásia, Américas e Europa. Já a dengue é considerada endêmica em mais de 100 países.

Apesar dos números assustadores, na maioria das vezes essas doenças se apresentam de forma leve ou moderada. Em muitos casos, os sintomas são confundidos com os de uma gripe comum. No entanto a dengue se destaca pelas dores nos corpo, a chikungunya é marcada por dores e inchaço nas articulações, e a zika se destaca por uma febre mais baixa (ou ausência de febre), manchas na pele e coceira no corpo.

Porém, alguns casos podem ser graves. Embora a dengue clássica raramente tenha consequências sérias, a dengue hemorrágica pode levar à morte. Os casos graves da doença são muito raros, e sua taxa de mortalidade é relativamente baixa – aproximadamente 40 óbitos para cada 100.000 casos registrados (0,04%).

Já o principal risco da zika é a infecção de mulheres grávidas, o que pode acarretar microcefalia e outras complicações nos bebês. Além disso, o vírus da zika também está associado à síndrome de Guillain-Barré (doença rara em que o sistema imunológico ataca células dos nervos periféricos, causando fraqueza muscular e perda de sensibilidade).

O mosquito e as olimpíadas

Essas doenças também impactam na qualidade de vida, na produtividade e até mesmo no turismo. E no ano em que o Brasil receberá os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos esse impacto pode se tornar avassalador.

Estudo realizado pela Evidências - Kantar Health apontou que, em 2008, um surto de dengue no Rio de Janeiro diminuiu em 15% a 30% o número de turistas que visitam a cidade. Outras cidades também foram significativamente impactadas e várias cancelaram o Carnaval a fim de priorizar o uso dos recursos do programa de controle da doença. O estudo também demonstrou que o surto de dengue gerou um impacto econômico de cerca de US$ 603 milhões em 2013.

Ainda existe uma grande escassez de pesquisas e de dados internacionais sobre essas doenças. Precisamos de mais estudos sobre o impacto que causam na qualidade de vida, na produtividade, no turismo e em outras áreas. Também precisamos de mais dados sobre suas consequências e outras formas de transmissão. Recentemente verificou-se que o vírus do zika pode ser transmitido por via sexual. Então precisamos gerar mais conhecimento para conseguir combater essas doenças.

Prevenção e vacina

Diante dos surtos de zika, dengue e chigungunya, o público apostou na prevenção ao evitar contato com mosquitos. Dados da Kantar Worldpanel mostram que a penetração de inseticidas e repelentes cresceu em todas as classes sociais e está em ascenção desde 2012. Só os produtos para repelir mosquitos já ganharam mais de 875 mil lares compradores em 2015. Segundo o levantamento, 31% dos lares compradores de inseticida em 2015 não havia adquirido o item nos dois anos anteriores. Já no caso dos repelentes, o número chega a 73% dos lares.

Os principais compradores têm sido as donas de casa das classes A/B do interior de São Paulo e da Grande Rio de Janeiro. Os repelentes são os favoritos das mais jovens (até 29 anos), enquanto os inseticidas são a aposta das donas de casa mais velhas, com mais de 50 anos das mesmas classes

Além de evitar o mosquito, também já existe a alternativa da vacina para dengue. Um grupo francês produziu a primeira vacina contra a doença, que já tem registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) desde dezembro do ano passado. As autoridades estão discutindo o custo e os benefícios de incluir a vacina, que protege contra os quatro tipos de vírus da dengue, no calendário nacional de imunização e também a realização de campanhas de vacinação em massa. O mesmo grupo que produziu essa vacina pretende desenvolver uma vacina contra o zika dentro de três anos.

Fonte: Kantar Worldpanel, Kantar Health

Nota da Editora

Quer saber mais sobre Olimpíadas? Nesse link você confere todos os materiais da Kantar no Brasil sobre o assunto.

Todos os dados publicados no Kantar Brasil Insights são públicos e podem ser utilizados livremente.  

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