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Outubro Rosa: Mídias sociais ajudam a sensibilizar e informar sobre o câncer de mama

Chris Bueno

Comunicação científica

Saúde e Esporte 27.09.2017 / 05:00

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A desinformação sobre o autoexame - que não é a melhor forma de prevenção - é principal desafio na comunicação neste mês

Em outubro, o Brasil fica cor-de-rosa. A cor, que ilumina monumentos históricos e prédios públicos, enfeita os laços que simbolizam o movimento e aparece com força em campanhas publicitárias serve para promover a conscientização da população sobre o câncer de mama, como uma parte importante das ações do chamado Outubro Rosa. A série de campanhas de conscientização sobre a doença, que é o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres, teve início nos EUA nos anos 1990 como forma de encorajar o público a conhecer melhor esse tipo de câncer, que afetou ao menos 1,67 milhões novos pacientes no mundo todo em 2012. No Brasil, apenas em 2016, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimou 57.960 novos casos, dos quais mais de 14 mil resultaram em morte. 

Por aqui, ações e campanhas de conscientização sobre o câncer de mama acontecem desde 2002, com foco na importância de se informar sobre o tema e se esforçar na detecção do câncer de mama em seus estágios mais iniciais, quando a chance de cura é maior. 

E se o assunto é informar, as mídias sociais são uma ferramenta extremamente eficaz. “Além de uma poderosa ferramenta de conscientização, as mídias sociais podem trazer um novo insight sobre as barreiras enfrentadas pelos pacientes em busca de detecção precoce ou mesmo de tratamento”, opina a oncologista Luciana Clark, diretora de Comunicação Científica da Kantar Health no Brasil.

Foi o que demonstrou um estudo publicado em 2016 na revista Breast Cancer Research and Treatment, que analisou mais de 1 milhão de posts sobre o câncer de mama. Utilizando um software para mineração de dados, os autores detectaram que 38% dos posts abordavam dificuldades relacionadas ao diagnóstico e tratamento da doença. Entre estas barreiras estavam aspectos emocionais (medo, ansiedade, negação, depressão); crenças pessoais (percepções errôneas, preferências e aspectos religiosos e espirituais); e aspectos físicos (efeitos colaterais e mudança corporal provocados pelo tratamento), além de falta de recursos financeiros, comunicação ruim com a equipe de saúde e experiências prévias negativas.

“Muitas destas barreiras podem ser removidas através da educação, melhora da comunicação e suporte psicológico, o que aumentaria o acesso dessas pacientes aos exames e ao tratamento. Daí a importância das redes sociais para mapear estas dificuldades e realizar uma intervenção positiva”, afirma Clark.

Principais números

  • 80,9% dizem que tweets ajudaram a saber mais sobre câncer de mama
  • 40% das brasileiras não realizam mamografia

Outra pesquisa, publicada no Journal of Medical Internet Research, avaliou a eficácia do Twitter como meio de educação sobre o câncer de mama e seu impacto na ansiedade dos participantes. A maioria dos participantes (80,9%) afirmou que os tweets trouxeram aumento do conhecimento geral sobre o tema, também ajudando a obter mais informações sobre estudos clínicos e pesquisas e a ter mais informações sobre opções de tratamento.

Desinformação inunda as mídias sociais

Mas nem sempre as mídias sociais são utilizadas de forma benéfica. Em geral, as informações divulgadas sobre a prevenção ao câncer de mama durante o mês de outubro são em geral incompletas, descontextualizadas, desatualizadas ou até mesmo equivocadas, o que pode levar o público a conclusões enganosas sobre a doença.

Um estudo publicado em 2015 no Journal of Health Communication analisou as mensagens postadas na página do Facebook de uma ONG americana voltada para a conscientização sobre o câncer de mama durante o Outubro Rosa. Os resultados demonstraram que nem sempre a página do Facebook trouxe informações de saúde válidas e, ainda, focava mais na venda de mercadorias para arrecadar fundos do que na educação dos usuários.

Um levantamento recente realizado pela Kantar Health, apresentado no ISPOR 2017, analisou os tipos de postagens feitos no Facebook e no Twitter em relação a este tema. Nos grupos de Facebook brasileiros, onde mais de 16 mil membros se encontravam para discutir o tema, a maior parte das postagens se referia a assuntos e experiências pessoais (25%), propaganda (25%), apoio (18%) e auto-exame (12%). Já no Twitter, o foco das comunicações feitas usando as hashtags #cancerdemama e/ou #outubrorosa eram primordialmente promover a campanha do Outubro Rosa (33%), prevenção (14%), conscientização (12%),  propaganda (12%) e auto-exame (11%).



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Os dados mostram que apesar de redes como o Facebook e Twitter serem ferramentas e mídias que potencialmente ampliam a educação e conscientização sonbre os cuidados com o câncer de mama, elas tem sido usadas para divagar sobre situações particulares ou focando excessivamente no uso de roupas rosas, incentivo à causa do Outubro Rosa ou arrecadação de fundos para instituições ligadas ao tema.

Ou seja, apesar das mídias sociais terem um grande potencial para promover políticas de saúde, pois já fazem parte do cotidiano das pessoas, elas infelizmente não estão mencionando de forma relevante as práticas e prevenções eficientes no controle da doença. O Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), por exemplo, não estimula o autoexame das mamas como estratégia isolada de detecção precoce do câncer de mama, e ainda assim o tema de autoexames periódicos aparece com bastante frequência no Facebook e Twitter brasileiros.

A recomendação do INCA é que o exame das mamas pela própria mulher seja parte das ações de educação para a saúde que contemplem o conhecimento do próprio corpo. De acordo com a oncologista Bruna Pegoretti, diretora do departamento de Medical Intelligence da Kantar Health no Brasil, apenas o autoexame das mamas não ajuda a detectar o câncer. “O diagnóstico precoce é fundamental para o aumento das chances de cura, já que estão diretamente relacionados ao estágio da doença ao diagnóstico, então mamografia e visitas periódicas ao seu médico são fundamentais”, afirma.

Como se cuidar

No Brasil, a recomendação do Ministério da Saúde é a realização da mamografia de rastreamento (quando não há sinais nem sintomas) em mulheres de 50 a 69 anos, uma vez a cada dois anos. Apesar da recomendação do ministério, 40% das mulheres brasileiras nessa faixa etária não realizam mamografia, de acordo com o Inquérito Nacional de Saúde realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Além disso, dados do INCA apontam que apenas 2,5 milhões de mamografias foram realizadas em 2014, representando uma taxa de 24,8% – ainda muito abaixo da recomendação pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 70%. O diagnóstico precoce é importante no câncer de mama porque quando mais cedo a doença for detectada, mais fácil será trata-la e maior serão as chances de curá-la.

MAIS SOBRE OUTUBRO ROSA: Informe-se sobre o câncer de mama

Fonte: Kantar Health

Nota da Editora

Originalmente publicado em outubro de 2016, atualizado em setembro de 2017

Os dados do levantamento realizado pela Kantar Health, apresentados no ISPOR em 2017, podem ser encontrados no site da Kantar Health em inglês. Você também pode conferir na íntegra o pôster apresentado na ISPOR BR.

 

Jornalista, se precisar de mais dados ou se quiser entrevistar algum dos nossos especialistas, por favor, entre em contato conosco.

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