Brasil Insights

Internet abre portas para a leitura

Comportamento 22.06.2016 / 12:00

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O hábito de ler pode ser potencializado pelas conversas digitais

Aprender a ler é algo que fazemos na escola, mas manter o hábito de estar em busca de novas leituras é algo que tradicionalmente começa em casa. No geral, as escolas fazem a sua parte, mas as leituras obrigatórias não trazem a sensação de prazer de ler, que costuma vir mais da influência da família ou pela proximidade com outros grandes leitores, como professores ou amigos.

Apesar de muitos renegarem as adaptações cinematográficas de livros, o cinema é também uma porta de entrada para o mundo da literatura. Seja através de sagas infanto-juvenis como Harry Potter ou Percy Jackson, filmes e séries baseadas em obras literárias ou até vídeo games que se desdobram em livros, essas atividades servem como uma ponte entre a literatura e o (futuro) leitor.

A internet também se posiciona como uma grande potencializadora do interesse nos livros. Através das mídias sociais os leitores têm contato com títulos, autores, temas e assuntos literários, compartilhando ideias e também suas recomendações. Canais no YouTube, blogs, Facebook, Twitter e Instagram são algumas das mídias que também podem influenciar o leitor. Esse incentivo a leitura pode vir de web celebridades que comentam sobre literatura ou até mesmo que publicam seus próprios livros. Recentemente, a youtuber Jout Jout levou centenas de pessoas às livrarias das principais cidades do país para o lançamento do seu livro “Tá Todo Mundo Mal” (2016). Outros sucessos incluem Kéfera Buchmann, com seu “Muito Mais do que 5inco Minutos” (2015), Christian Figueiredo, com “Eu fico Loko” (2015), Bruna Vieira e seus 6 livros publicados pela editora Gutenberg, Felipe Neto e o seu “Não Faz Sentido” (2013), entre outros.

Online vs. impresso: pressa ao invés da erudição

Não é que se leia pouco online. Se lê muito, mas com menos profundidade. Segundo uma pesquisa focada em literatura, feita pela nossa TNS para a Livraria Cultura, cada pessoa no Brasil lê em média 6,5 tipos de publicações. Os livros aparecem como a segunda opção de leitura preferida dos brasileiros, logo depois das leituras rápidas e cotidianas das notícias em páginas da internet.



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No meio digital, há um foco maior em leituras ligadas à informação, como reportagens, conteúdo acadêmico ou informativo. São leituras mais velozes, realizadas em pequenos trechos ou blocos, ou de artigos e textos mais curtos.

O meio impresso parece dar margem a um maior foco e dedicação à leitura. Nele são realizadas leituras mais ligadas ao lazer e relaxamento, como romances, ficção, autoajuda, ou de livros com envolvimento emocional, com capas ou edições especiais. Livros impressos costumam gerar uma leitura mais aprofundada, principalmente de textos mais longos e/ou mais envolventes. Esse formato ainda é o preferido entre quem lê a Bíblia (71% leem em versão impressa), Livros (63%), Histórias em Quadrinhos (47%) e revistas de notícias (41%)

Bíblias e blogs

A Bíblia é disparada a publicação mais lida no meio impresso. Os livros em geral aparecem na segunda colocação, seguidos pelos quadrinhos/mangás e pelas revistas de notícias. Como o computador e os celulares estão cada vez mais presentes no dia a dia das pessoas, os livros impressos se tornam um refúgio dessas muitas telas. Eles são percebidos como meios mais confortáveis e organizados de leitura, se comparado com opções digitais. Os livros impressos também evocam uma experiência bem mais sensorial, que envolvem folhear as páginas, sentir o "cheiro do livro" e até analisar a textura do papel. Muitos leitores se dizem instigados a comprar um livro baseando-se pela capa, contrariando o famoso ditado popular.

Diferente do que ocorre com leituras digitais, livros impressos trazem também uma sensação de "posse" muito grande. É um apego material por algo que se torna bastante pessoal, já que muitos leitores gostam de marcar páginas, fazer anotações e exibir os livros como troféus em suas prateleiras e estantes. Isso explica porque muitos leitores evitam emprestar livros ou, quando o fazem, isso se transforma em um gesto de confiança e de bem querer com quem está pegando empresatada aquela edição. A doação de exemplares impressos também é rara: ela só costuma acontecer quando o vínculo emocional com o livro é desfeito ou quando ele nunca chegou a existir - como é o caso de uma leitura que não gostaram ou que deixaram de apreciar com o tempo.

Falta tempo pra ler

Ler é visto pela maioria como um processo individual e solitário, em que a pessoa se satisfaz apenas com a “companhia” do livro. De modo geral, os leitores dizem sentir que o ritmo de leitura cai com o passar dos anos: a juventude percebida como o período em que os leitores lembram de se dedicarem mais aos livros, possivelmente por ser uma época sem a rotina corrida do trabalho.

Para driblar a falta de tempo, o noticiário é uma leitura bem aceita nos meios digitais. Por ser um tipo de leitura que exige menos apego e que pede por maior agilidade, o jornal digital cumpre bem a função de informar com comodidade e rapidez, em telas de celulares ou computadores, em especial em momentos de deslocamento ou em intervalos no trabalho. Portais de notícias, como UOL, G1 e R7, são concorrentes diretos dos jornais digitais, já que cumprem a função de informar de forma cômoda e rápida muito bem. O diferencial de um jornal hoje em dia acaba sendo a sua seleção de colunistas, que costuma ser apreciadas tanto na versão digital como impressa.

eBooks e eReades: novos formatos para consumir literatura

Os eBooks, livros em formato digital para serem consumidos em tablets ou eReaders, são conhecidos pela grande parte do público, especialmente entre a classe A. No entanto, apesar de conhecerem os novos dispositivos de leitura digital e entenderem seus benefícios, ainda existe um baixo interesse na troca do exemplar impresso por um modelo digital.



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No geral, eBooks são associados a conteúdos gratuitos ou de baixo custo. Por isso, o sucesso nessa categoria é bastante pautado por preços convidativos e, em geral, mais baixos do que os praticados em exemplares impressos. A versão digital de livros também é uma excelente opção para uma literatura "de peso", como é o caso de livros que têm mais de 600 páginas, já que só o ato de carregar um livro desse porte pode ser incômodo. Em um eReader, um livro de 100, 200, 400 ou 800 páginas sempre tem o mesmo peso e a mesma praticidade de leitura.

Dos leitores de livros em geral, apenas 4% utilizam leitores de ebooks. Desses leitores que adotam os eReaders, 3% são usuários de Kindke e 1% usuários de Kobo. A maioria (60%) considera a leitura feita em celulares, tablets ou eReaders "desconfortável".

Atualmente com baixa penetração, esse mercado tem potencial para crescimento se houver mains interesse do público, que precisa de mais explicação sobre os eReaders e eBooks.

Fonte: Kantar TNS

Nota do Editor

Para esse estudo foram analisadas 13 entrevistas ao vivo e 1 mil entrevistas online, com painelistas, entre os meses de agosto e outubro de 2015. Todos os entrevistados têm acesso a internet e têm hábito de leitura tanto no meio digital quanto impresso.

Todos os dados publicados no Kantar Brasil Insights são públicos e podem ser utilizados livremente.  

Jornalista, se precisar de mais dados ou se quiser entrevistar algum dos nossos especialistas, por favor, entre em contato conosco.

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