Brasil Insights

Seriam os chat-bots os novos apps?

David Wright

Especialista em Inovação

Móvel 13.04.2016 / 17:00

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Com os novos bots lançados pelo Facebook durante a F8, o que pode mudar na nossa interação digital?

Aplicativos que permitem troca de mensagens, como é o caso do Facebook, Snapchat e KIK, têm tido um grande crescimento. Durante a F8, conferência do Facebook voltada para desenvolvedores, a rede social anunciou que o seu aplicativo de mensagens tinha chegado aos 900 milhões de usuários ativos mensais no dia 7 de abril, um rápido crescimento se comparado aos 800 milhões de usuários que acessavam o Facebook mensalmente em janeiro deste ano.

Nos EUA, as interações via aplicativos de mensagens costumam ser bem breves, com duração média de 120 segundos. Ou seja, para conseguir ter algum engajamento com a audiência nessas plataformas, as empresas desenvolveram duas estratégias:

  1. Focar na criação de um conteúdo interessante, ao oferecer ferramentas para que os usuários possam criar o que quiserem e no desenvolvimento de parceiros comerciais que criem histórias patrocinadas que sejam engajadoras, como acontece no Snapchat;

  2. Permitir que desenvolvedores criem robôs para os chats, que permitem que o consumidor interaja com as marcas e com os seus serviços através da interface móvel, a qual eles já conhecem e estão acostumados.

O que é um robô para chat, ou chat-bots? 

Um robô para chat é um pequeno programa de inteligência artificial que foi criado para simular uma conversa entre pessoas. Esses chat-bots não são uma novidade: um dos primeiros a serem documentados foi o chat-bot Eliza, criado em 1966. Robôs maliciosos também já existiram em aplicativos de mensagens da Microsoft, e eram usados majoritariamente para roubar informações pessoais.

Por que esses robôs de repente são uma tendência?

Isso aconteceu por conta de uma convergência de três coisas: primeiramente, a penetração de aparelhos móveis; depois, o crescimento do uso de aplicativos de mensagens; e, por último, os recentes e rápidos avanços no desenvolvimento de inteligência artificial, que permite que esses robôs para chats possam ser mais detalhistas e parecerem mais humanos.

Além disso, esses "bots" também são vistos como uma oportunidade de gerar mais receita, com uma nova loja de aplicativos que foi inserida dentro dos apps do Facebook Messenger. Outra vantagem que esses bots trazem é a oportunidade de levar o atendimento ao consumidor para dentro dos apps de mensagens.

E já existem lojas de chat-bots? 

Como era de se esperar, o Facebook acaba de lançar a sua loja de robôs durante a conferência F8. A empresa está oferecendo aos desenvolvedores acesso a mecanismos avançados de linguagem natural (através da aquisição da Wit.ai), o que permite que eles criem robôs que podem continuar aprendendo com o passar do tempo. O Facebook ainda tem a vantagem de ter uma base rica em dados, que permite que os desenvolvedores criem robôs muito personalizados. O lançamento incluiu alguns robôs em páginas de parceiros, como a CNN, HP e Wall Street Journal, que podem ser testados se você tiver a última versão do Facebook Messenger instalada.

O KIK lançou a sua loja de robôs em 5 de abril, com 18 robôs em parceiros como o The Weather Channel, Sephora, H&M.

Já a Amazon, através do Amazon Echo, lançou em novembro de 2014 a "Skills Store", que teoricamente oferece aos desenvolvedores a oportunidade de criar um robô de chat que reconhece comandos de voz. No entanto, até agora os principais comandos reconhecidos incluem mudar para uma estação de rádio ou diminuir o aquecimento do ambiente.

Ao invés de uma loja de robôs, a Microsoft tem lançado ferramentas para que os desenvolvedores criem seus próprios robôs com inteligência artificial. Um dos últimos experimentos da Microsoft nesse ramo foi o chat-bot Tay, que mostrou que um robô desse não pode ser deixado sozinho sem supervisão.

 

Então qual a diferença entre um robô para chat e um assistente digital? 

É uma diferença bastante sutil, mas um assistente digital é criado para ajudar você ao responder perguntas, como faz a Siri, da Apple. Um robô para chat já pode ser um pouco mais parecido como um representante da empresa.

No entanto, não existem motivos para que um robô de chat não possa desempenhar um papel customizado, com base nas definições feitas por quem o desenvolve. Por exemplo, um robô de chat trabalhando para uma seguradora pode pedir para ter acesso aos dados do seu Fitbit e oferecer formatos para reduzir a sua franquia se você estiver em uma "área de risco".

Será que o ocidente está apenas seguindo os passos do oriente?

O chinês WeChat há muito tempo está indo atrás de estratégias de engajamento por mensagens. No WeChat, você já pode comprar de tudo da loja JD.com (similar à Amazon.com), reservar e pagar por um restaurante (através do Dianping.com), pedir um táxi, comprar passagens de avião ou de trem, compartilhar dados da sua saúde, ou até mesmo marcar um encontro. O WeChat também tem apostado em uma estratégia de conteúdo, com milhares de canais de conteúdo (através de assinaturas) sendo criados por empresas e por indivíduos todos os dias.

Fonte: Kantar

Nota da Editora

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